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Advogado arguido defende inocência de ex-vice-presidente da Câmara de Gaia
04/02/2025No julgamento em curso, João Lopes, advogado acusado de intermediar um alegado pacto corruptivo entre construtores e o ex-vice-presidente da Câmara de Gaia, Patrocínio Azevedo, garantiu esta terça-feira, em tribunal, que o antigo autarca “está inocente” e “não obteve qualquer vantagem”.
Lopes, que se encontra em prisão domiciliária desde maio de 2023 e é apontado como uma peça-chave no caso, assumiu que os valores mencionados na acusação lhe foram destinados, e não a Patrocínio Azevedo. O Ministério Público acusa-o de ter recebido 120 mil euros para remeter ao então vice-presidente da autarquia, mas o advogado afirmou que apenas tem “ideia” de ter recebido 25 mil euros dos promotores Paulo Malafaia e Elad Dror, a título de honorários.
Relativamente a um suposto pagamento de 100 mil euros em numerário, que teria ocorrido numa casa de banho do Norte Shopping em 2021, João Lopes negou a acusação e lamentou a ausência de prova concreta: “Foi pena a equipa de vigilância [da PJ] não ter feito a interceção. O mito dos 100 mil desaparecia naquele momento.”
Durante a sétima sessão do julgamento, Patrocínio Azevedo voltou a admitir que recebeu três relógios das mãos de João Lopes, nos natais de 2019, 2020 e 2021, mas garantiu nunca ter valorizado as peças. Quando se apercebeu da sua importância, decidiu devolvê-las ao advogado.
Enquanto Patrocínio Azevedo continua em prisão preventiva, o caso segue para novas audiências, com a defesa a tentar desmontar a acusação de corrupção e tráfico de influência.
Foto: DR