Recordar Raul Solnado. Faria hoje 92 anos

Recordar Raul Solnado. Faria hoje 92 anos

19/10/2021 0 Por admin
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Se fosse vivo, completaria hoje, 19 de Outubro, 92 anos o saudoso grande ator Raúl Solnado.

Raul Solnado estreou-se a 14 de Fevereiro de 1953 na revista “Canta Lisboa” e, em entrevista à agência Lusa, em 2002, dizia que desde então se tornou “uma fábrica de rir”.

Raul Augusto de Almeida Solnado nasceu em Lisboa a 19 de Outubro de 1929, na Madragoa, bairro onde pela primeira vez pisou o palco, na Sociedade Guilherme Cossul, tendo o nome de Solnado dado pela família por causa de uma expressão que ouvira na aldeia de Fundada (Tomar) – “Acordem que já é sol nado”.

Desde o palco da Sociedade Guilherme Cossul, Solnado tornou-se primeira figura em diversas revistas do Parque Mayer, em Lisboa, ao lado de nomes como António Silva, Humberto Madeira e Vasco Santana e de muitas comédias “que se mantinham em cartaz durante anos”.

Actor de revistas, comédias, telenovelas e vários filmes, Solnado é, na opinião da actriz Alina Vaz, que várias vezes contracenou com ele, “uma das últimas vedetas a sério em Portugal”.

“A guerra de 1914/1918” ou “É do inimigo?” tornaram Raul Solnado um nome de primeiro plano da cena portuguesa, popularidade que a televisão, através do programa de televisão “Zip Zip” (1969), aumentou extraordinariamente.

A televisão trouxe-lhe “milhões de admiradores”, como afirmou à imprensa, recordando outros êxitos de sua autoria, designadamente, “A visita da Cornélia” e “E o resto são cantigas” ou “Querido avô”.

Alina Vaz, que ao seu lado interpretou “Oh que delícia de coisa”, no Teatro Villaret, disse à Lusa que o actor “era um homem com imensas histórias de casos e de acontecimentos, de emoções e sensibilidades do teatro”.

Depois de concluir o Curso Comercial, em 1947, Raul Solnado começou a trabalhar no teatro amador, afirmando-se profissionalmente em 1953.

A década de 1950 foi de ascensão, na opereta, na comédia, na revista e, a partir de 1956, também no cinema, e o ano de 1961 marcou o aparecimento do seu primeiro célebre monólogo – “A guerra de 1918” na revista “Bate o Pé”, no Teatro Maria Vitória -, a que outros se seguiram, catapultando Solnado para o cume da fama, mercê, em grande parte, da larga difusão que a rádio deu a esses trabalhos, gravados em disco.

Em 1969 esteve na base, com Fialho Gouveia e Carlos Cruz, do memorável programa do historial da RTP “Zip Zip”, onde assinou alguns “sketches” inesquecíveis, mas outro programa sempre recordado foi “A Visita da Cornélia”, que a RTP apresentou mais tarde e em que Solnado participou com o humor de sempre.

O actor actuou também no Brasil, em finais da década de 1950, com “largo sucesso” em vários programas de televisão e também em teatro.

Como empresário fundou e dirigiu o Teatro Villaret de 1964 a 1970 onde Raul Solnado deixou assinalada passagem tendo promovido alguns dos mais importantes espectáculos da década de 1960.

O actor está igualmente ligado ao projecto da Casa do Artista, de que foi mentor, juntamente com o actor e encenador Armando Cortês, também já falecido.

Foi o actor José Viana que o trouxe para o teatro com quem fez em 1951 o espectáculo “Sol da meia-noite” que se realizava no cabaré Maxime e que “revolucionou os espectáculos da noite”.

A última vez que pisou o palco foi em 2001, no Teatro Trindade, na peça “O magnífico reitor” de Freitas do Amaral, em que contracenou, entre outros, com Rui Mendes e Ana Bustorff.

Em 2002 iniciou no Casino Estoril o projecto “Conversa à solta” em que recordava êxitos da sua carreira de mais de 50 anos e com o qual percorreu vários palcos do país.

A telenovela “A ilha dos amores” foi a sua última participação na televisão, que contava no elenco com a sua neta Joana Solnado, em que contracenou, entre outros, com Sofia Alves e Elisa Lisboa.

Depois de inúmeros papéis e consequentes sucessos, quer nos palcos, quer na televisão, o artista foi homenageado em 2002 com a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa e recebeu, no dia 10 de junho de 2004, pelas mãos do presidente da República da altura, Jorge Sampaio, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. O galardão mais recente

O actor morreu no dia 8 de agosto de 2009, vítima de doença cardiovascular. Os seus restos mortais estão no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. 

Na memória de todos permanece o sorriso característico daquele que é um dos ícones de Portugal. 

«Façam o favor de ser felizes!» Uma das frases mais conhecidas de Raul Solnado, que sempre assumiu não ter medo da morte. «A morte não me assusta nada, mas tenho pena de morrer. Viver é uma coisa tão boa», dizia.